quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Filosofia que caiu no ENEM


Filosofia que caiu no ENEM 2018

 
 
 
 

            Recentemente ocorreu a prova do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) e mais uma vez se observa a importância da Filosofia na prova, esta inserida na área “Ciências Humanas e Suas Tecnologias”, de tal modo que se observa em torno de oito a dez questões diretas sobre pensadores, isso sem falar em outras onde se vê argumentos filosóficos ou sociológicos.  Os temas abordados variaram, e mais uma vez se notou o forte enfoque na cidadania do candidato, assim como conhecimentos constitucionais e de direitos. Mas vamos à prova, sendo que o caderno que conferi foi o azul.
 
 
 
 

            Na questão de número 49, se tratou de Merleu-Ponty, citando a obra “Elogio da Filosofia”, sendo esta de nível elevado de dificuldade, apesar do cabeçalho da questão já oferecer a pista da resposta. A questão mostra a ambiguidade e a alternância que o filósofo passa da ignorância ao saber e vice-versa, sendo a resposta o questionamento do filósofo e rigor da investigação. Já na questão 51, tratou-se do pensador da escolástica, Tomás de Aquino, também santo. Esta tratava sobre Deus e da sua prova racional de existência. Desta forma, a resposta se tratava obviamente de sustentar racionalmente a doutrina da fé. Como muitas questões, essas que comentamos até agora, se tratam de uma boa análise e interpretação do candidato, já encontrando a alternativa também por eliminação de outras opções. Já na questão de número 52, ajuntaram dois pensadores do contratualismo, o Thomas Hobbes e o Jean Jacques Rousseau, mostrando sua oposição em tema de se o homem é naturalmente bom, ou se este é lobo do outro homem,  seu inimigo. A pergunta sobre a igualdade do homem e a resposta estava em sua condição original, uma vez que as outras alternativas se podia eliminar pelo óbvio. Esses pensadores contratualistas são essenciais a se entender o tema do Estado e do governo, uma vez que temos um contrato social onde exercemos assim direitos e deveres, e renunciamos a nossa vingança privada pela força da lei. Já na questão 79 se falou de Epicuro, que muitas vezes é excessivamente ligado ao hedonismo, ao prazer, quando ele trata também de virtudes e de um modo de vida. Justamente se questionou com a frase “A quem não basta pouco, nada basta”, sendo a resposta uma virtude relacionada, a qual estava na letra c, temperança, que significa a moderação. Já em questão 83, se perguntou sobre Agostinho de Hipona, com o questionamento sobre o que Deus fazia antes da criação, de tal modo que a resposta estava no próprio questionamento, na compreensão humana, uma vez que a alternativa mais próxima, da ética, não era bem o abordado.  Ademais, na questão de número 90, se usou o pensador político Norberto Bobbio, este citando o positivista Hans Kelsen e as eleições, onde cada pessoa tem o poder. Por óbvio a resposta seria na importância do indivíduo na sociedade.
 
 
 
 

            No geral se percebeu no ENEM ainda questionamentos sobre leis antigas, como a que se referia à medicina popular, ou outra que tratava do hino nacional, onde se tem o tema gramatical de tom protocolar. Fato é que no geral o exame manteve bom padrão, e fora a polêmica com a questão sobre linguagem de travestis, bem como a redação sendo sobre Internet e manipulação de dados, o que não bem avalia conhecimento escolar, mesmo assim se manteve um exame bem feito. A filosofia mais uma vez mostrou grande importância na prova, seja diretamente ou indiretamente.

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

A Filosofia e o Direito no ENEM


A Filosofia e o Direito no ENEM
 

 
 
 
 

         Nessa semana teremos o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) e já tratamos aqui por outras ocasiões a temática de Filosofia nas provas, e a banca cobrando também o tema dos direitos, em especial com relação a direitos humanos e mesmo textos da própria Constituição Federal. Também já foi tema do exame o respeito para com a mulher, bem como a finalidade de campanhas e ações nesse sentido. E além de Filosofia e Direito, percebe-se muita questão sobre cultura e expressões artísticas, o que deve ter a atenção de estudantes. A Filosofia se ocupa do tema de estética nesse sentido, ademais, e os professores podem trabalhar em temas interdisciplinares com a arte. Fato é que o ENEM vem diversificando e cobrando uma informação cultural que ultrapassa o senso comum e o meramente popular. A Filosofia, seja junto a história, ou mesmo a sociologia, vem sempre aparecendo, mesmo que por mera citação de seus pensadores. Já o Direito revela a importância da cidadania e civismo na escola, tema que pode voltar mais presente quando do retorno da Educação Moral e Cívica em escolas.
 
 
 
 

         Uma questão curiosa que ocorreu foi a de filósofo Cícero, romano, também orador, de modo que demonstrou existir já rede social sobre política na Roma antiga, apesar de por lá ser espécie de carta enviada por escravo, para diversas pessoas, de modo que cada uma ia comentando a política. Vemos que possivelmente ocorriam também as fake news e que apenas a tecnologia não lhes estava presente, em comparação aos dias atuais. Já no que se refere ao Direito, nada mais e nada menos que foi o tema da redação do ENEM, com o assunto da educação de surdos no Brasil. Assim o aluno poderia falar da diversidade, da inclusão, ações afirmativas, dos direitos presentes na LDB, Constituição, Libras e muito mais. Claro que o aluno teria de ter uma leitura prévia e informações, a fim de desenvolver um texto bem redigido e que agradasse quem fizesse a correção, além de demonstrar conhecimento, além de uso e domínio da língua culta.  O conhecimento básico da história da língua brasileira de sinais, bem como algumas características, já daria fundamento para se fazer um bom texto. Mas o tema dos direitos sempre está presente, em sua conquista e desenvolvimento histórico. Também se citou em ENEM o Artigo 231 da CF, sobre os índios, de modo que a diversidade ainda pode ser tema da prova dessa semana. Também na Filosofia se falou do modo de vida socrático, com o tema do método dialético, sendo que as outras alternativas pareciam se referir aos sofistas, os quais relativizavam a verdade através de mera oratória ou convencimento de retórica. Também no Direito se falou do Tribunal Constitucional, e da judicialização de questões legislativas, ou seja, o poder que faz a lei tem de respeitar a Constituição, a fim de não ver essa declarada inconstitucional pelo poder judiciário. Ademais, caiu uma parte de livro de pensador alemão Immanuel Kant, onde bastava o aluno lembrar-se de sua lei universal, para acertar a questão. Já sobre Aristóteles, uma questão evidenciava que a política precede outras ciências na organização da cidade.
 
 
 

         Para tanto, observa-se que tanto a Filosofia quanto o Direito são necessários na prova do ENEM, como expressões mesmo da consciência e da cidadania. Certo será estudar numa leitura da Constituição, de temas como diversidade, ONU, pensadores clássicos, e não se esquecer de redigir um bom texto na redação. Mesmo em outras matérias, filósofos sempre aparecem, de modo a evidenciar a importância da disciplina, e mesmo em matemática não se pode esquecer do grande Pitágoras.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

A FILOSOFIA NO ENEM


A Filosofia no ENEM




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Observei a prova do ENEM (Exame nacional do ensino médio) recentemente e percebi ainda a importância da filosofia na mesma. Foram em torno de 10 questões diretas de filosofia, isso sem contar outras que teriam também uma tônica filosófica, o que mostrou ainda esse enfoque. Contrariamente a certa proposta do governo, que deseja fazer do Ensino Médio algo profissionalizante ou técnico para trabalho, a prova exigiu diversas competências e conhecimento teórico e literário, o que pareceu ir de encontro a essa proposta. Observando a prova de Linguagens, códigos, ciências humanas etc, se percebe ainda a importância da leitura e da visão crítica, necessárias a alunos e professores. Também se percebe a valorização da cidadania, e conhecimento de leis, que mesmo na redação foi exigido, como no caso do tema de surdos na educação. Acabou até por se citar mais de uma vez a Constituição na prova. Ademais, a grande variedade de conhecimento tecnológico e de informática exigido, o que revela se querer um aluno situado em seu tempo.




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A primeira questão que transparece em citar um filósofo, no caso Pierre Lévi, foi a oitava, no caso de caderno azul, onde se tratou da cibercultura. Isso mostra a diferença do que é muitas vezes ensinado nas escolas, e o que é exigido no ENEM. Devem os professores de filosofia lembrar desse autor atual. No caso, a resposta era do espaço aberto para a aprendizagem. Esse autor fala nas obra em uma classificação, onde traça o momento atual como espaço do saber. Já na questão 14, se falou de Norberto Bobbio, pensador italiano que por vezes falou de política e que tem uma obra enigmática, chamada “A era dos direitos”. Mas no caso, a questão tratou de propaganda, e a resposta estava no próprio enunciado da pergunta. Por isso uma dica a alunos é ler e refletir na pergunta, que já pode conter a resposta. Seria a imposição de ideias e de grupos. Caiu em questão 48 o tema da ética, onde se cita Bentham, sendo a resposta pela racionalidade e pragmática. Já a questão 49 era sobre o iluminismo, onde a resposta lembraria as buscas iluministas, como superação de absolutismo, tirania, e mesmo busca de igualdade e liberdade. A resposta seria pela igualdade. Já na questão 58 caiu Antony Giddens, de modo que pelo contexto da pergunta, se teria a resposta de universalidade de direitos e diversidade, pois mais uma vez o texto fala em diversidade. O autor da “Terceira Via” procurava isso em sua obra. Na questão 64 caiu um filósofo do Direito, John Raws, americano, e assim a resposta seria simples, para quem conhecesse o autor, tratando o tema da liberdade e liberalismo. Na questão 66 parece ter caído uma pegadinha sobre Sócrates, e apesar da resposta parecer ser pela retórica, essa seria mais uma marca sofística, e Sócrates na verdade fazia uma dialética, através de suas conversas e ironia, pelo método da maiêutica. Para tanto, a resposta seria a dialética. Já nas questões 67 e 50 pareceu que se procurou ver a cidadania, uma vez se tratou de leis. Uma era no caso de índios na Constituição, e outra da relação entre os 3 poderes, no caso o Judiciário interferindo no parlamento. Deste modo a resposta nesta era a judicialização, e no caso dos índios, que se refere a patrimônio cultural, seria essa a resposta.




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A prova exigiu diversos saberes, e em especial a questão da redação, que era sobre os surdos e a educação. Logo, algum conhecimento de LIBRAS ou de algo relevante sobre o tema seria bem pertinente para fundamentar o texto. Mesmo a experiência com colegas em turma. Também outras questões trataram de temas de atualidade, e assim se observa exigências da UNESCO, questões da ONU e mesmo sobre cultura e tecnologia. O aluno deve demonstrar conhecimento sobre tecnologias e acesso a informações pertinentes ao tema. Na questão 74 se tratou sobre as mulheres, e se deve lembrar de ENEM passado onde a redação era sobre feminismo. O aluno deve para tanto ainda estudar escolas de arte, e ter alguma busca cultural mais erudita. Mas no geral se mostrou essa prova como ainda relevante o tema da filosofia, e ainda da cidadania na escola, que devem ser focados por professores de modo incisivo, e não apenas transversal, como parece a reforma da LDB em Ensino Médio propor.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Sobre a segunda aplicação de ENEM e Filosofia


2016



Nunca nos tornaremos matemáticos, por exemplo, embora nossa memória possua todas as demonstrações feitas por outros, se nosso espírito não for capaz de resolver toda espécie de problemas; não nos tornaríamos filósofos, por termos lido todos os raciocínios de Platão e Aristóteles, sem poder formular um juízo sólido sobre o que nos é proposto. Assim, de fato, pareceríamos ter aprendido, não ciências, mas histórias.

DESCARTES, R. Regras para a orientação do espírito. São Paulo: Martins Fontes, 1999.

Em sua busca pelo saber verdadeiro, o autor considera o conhecimento, de modo crítico, como resultado da



A investigação de natureza empírica.



B retomada da tradição intelectual.



C imposição de valores ortodoxos.



D autonomia do sujeito pensante.



E liberdade do agente moral.







Comentário: A res cogitans, a coisa que pensa. Assim precisava antes descobrir o eu. No pensamento eu sou. O pensamento é a certeza. Esse eu assim está além dos sentidos, e assim pode se duvidar de tudo, até da matemática. Mas resta o eu. É e reafirma o seu ser. Sou alguma coisa, mesmo com o gênio maligno tentando me enganar. E muitas outras reflexões de Descartes mostram que a resposta da autonomia do sujeito pensante é a que melhor trata do enunciado da questão.







2016



Pirro afirmava que nada é nobre nem vergonhoso, justo ou injusto; e que, da mesma maneira, nada existe do ponto de vista da verdade; que os homens agem apenas segundo a lei e o costume, nada sendo mais isto do que aquilo. Ele levou uma vida de acordo com esta doutrina, nada procurando evitar e não se desviando do que quer que fosse, suportando tudo, carroças, por exemplo, precipícios, cães, nada deixando ao arbítrio dos sentidos.

LAÉRCIO, D. Vidas e sentenças de filósofos ilustres. Brasília: Editora UnB, 1988. O ceticismo, conforme sugerido no texto, caracteriza-se por:



A Desprezar quaisquer convenções e obrigações da sociedade.



B Atingir o verdadeiro prazer como o princípio e o fim da vida feliz.


C Defender a indiferença e a impossibilidade de obter alguma certeza.


D Aceitar o determinismo e ocupar-se com a esperança transcendente.


E Agir de forma virtuosa e sábia a fim de enaltecer o homem bom e belo.




Comentário: O ceticismo de Pirro é muitas vezes pouco estudado ou comentado. Mesmo em livros de filosofia, em muitos sequer é dedicado a ele um capítulo. Um contato fácil com esse autor é pelo que Pascal fala dele, na obra Pensamentos. Mas uma das questões que se nota é sua grande indiferença, uma ataraxia. Essa ataraxia aparece em outros pensadores, e é uma marca que combina com o ceticismo, uma vez a incerteza das coisas. Logo a resposta C é a que melhor se enquadra. O livro citado na questão tem biografia de muitos filósofos, e é recomendado talvez como o melhor falando da vida dos mesmos. A LETRA “A”foi colocada em dúvida por algumas pessoas, mas ela indica claramente os Cínicos, outra corrente filosófica, que desprezava essas convenções sociais, por isso que cínico vem da palavra cão, viver mendigando etc.





2016



A promessa da tecnologia moderna se converteu em uma ameaça, ou esta se associou àquela de forma indissolúvel. Ela vai além da constatação da ameaça física. Concebida para a felicidade humana, a submissão da natureza, na sobremedida de seu sucesso, que agora se estende à própria natureza do homem, conduziu ao maior desafio já posto ao ser humano pela sua própria ação. O novo continente da práxis coletiva que adentramos com a alta tecnologia ainda constitui, para a teoria ética, uma terra de ninguém.

JONAS, H. O princípio da responsabilidade. Rio de Janeiro: Contraponto; Editora PUC-Rio, 2011 (adaptado). As implicações éticas da articulação apresentada no texto impulsionam a necessidade de construção de um novo padrão de comportamento, cujo objetivo consiste em garantir o(a)



A pragmatismo da escolha individual.



B sobrevivência de gerações futuras.



C fortalecimento de políticas liberais.



D valorização de múltiplas etnias.



E promoção da inclusão social.





Comentário: O tema parece ser da sustentabilidade frente às tecnologias. E o autor escreve sobre cuidar do planeta para nosso futuro e sobre bioética. Assim a letra B cai como uma luva, completando o raciocínio da frase e ideologia do autor citado. Assim um tema aparente em sua obra é o ambientalismo, e o mesmo se preocupa com o futuro e a sustentabilidade. Outro autor pouco estudado e citado, o Hans Jonas é um ambientalista e trata dessa sustentabilidade, que se refere ao futuro.






domingo, 18 de dezembro de 2016

Questões comentadas 1


(ENEM 2013) Nasce daqui uma questão: se vale mais ser amado que temido ou temido que amado. Responde-se que ambas as coisas seriam de desejar; mas porque é difícil juntá-las, é muito mais seguro ser temido que amado, quando haja de faltar uma das duas. Porque dos homens que se pode dizer, duma maneira geral, que são ingratos, volúveis, simuladores, covardes e ávidos de lucro, e enquanto lhes fazes bem são inteiramente teus, oferecem-te o sangue, os bens, a vida e os filhos, quando, como acima disse, o perigo está longe; mas quando ele chega, revoltam-se. MAQUIAVEL, N. O Príncipe. Rio de Janeiro: Bertrand, 1991.

A partir da análise histórica do comportamento humano em suas relações sociais e políticas, Maquiavel define o homem como um ser

A) munido de virtude, com disposição nata a praticar o bem a si e aos outros.

B) possuidor de fortuna, valendo-se de riquezas para alcançar êxito na política.

C) guiado por interesses, de modo que suas ações são imprevisíveis e inconstantes.

D) naturalmente racional, vivendo em um estado pré-social e portando seus direitos naturais.

E) sociável por natureza, mantendo relações pacíficas com seus pares.




Comentário: A própria questão tem a resposta. Talvez se o estudante ler com mais paciência, e realmente interpretar a questão, acerte sem muita dificuldade. Mas analisando a letra A, fato é que Maquiavel fala de virtute, mas é algo diferente, relacionada ao termo Vir, que mais se relaciona a virilidade. Também o termo fortuna é usado por Maquiavel, mas se relaciona ao destino e a deusa Fortuna, aquela com cornucópia nas mãos. Sendo renascentista, Maquiavel trazia uns elementos pagãos em sua filosofia. Com relações pacíficas também não, uma vez que ele escreveu até uma obra sobre a arte da guerra. Por fim ele fala de César Bórgia, que define o exemplo da questão.
 
 
 
 
 
 

(ENEM 2013) Na produção social que os homens realizam, eles entram em determinadas relações indispensáveis e independentes de sua vontade; tais relações de produção correspondem a um estágio definido de desenvolvimento das suas forças materiais de produção. A totalidade dessas relações constitui a estrutura econômica da sociedade  fundamento real, sobre o qual se erguem as superestruturas política e jurídica, e ao qual correspondem determinadas formas de consciência social. MARX, K. Prefácio à Crítica da economia política. In: MARX, K.; ENGELS, F. Textos 3. São Paulo: Edições Sociais, 1977 (adaptado).

Para o autor, a relação entre economia e política estabelecida no sistema capitalista faz com que

A) o proletariado seja contemplado pelo processo de mais-valia.

B) o trabalho se constitua como o fundamento real da produção material.

C) a consolidação das forças produtivas seja compatível com o progresso humano.

D) a autonomia da sociedade civil seja proporcional ao desenvolvimento econômico.

E) a burguesia revolucione o processo social de formação da consciência de classe.





Comentário: Conceitos básicos em relação ao Marx resolvem a questão. O aluno deve colecionar palavras-chave e macetes a resolver as questões. Assim Marx via o capitalismo como algo que seria superado. Da exploração do proletariado, restaria a mais-valia, então não é contemplado com a mais-valia, como disse a letra A. Sobre a letra C e o progresso humano, essa alternativa parece mais positivista, relacionada a Augusto Comte, que com Marx. O capitalismo para ele teria um fim, então nada de progresso. Também não fala sobre a letra D, que parece ser de um autor liberal, oposto a Marx. E a letra E é justamente o contrário, pois a burguesia deseja alienar e a classe parece não ter consciência.

 

 

(ENEM 2016) TEXTO I Fragmento B91: Não se pode banhar duas vezes no mesmo rio, nem substância mortal alcançar duas vezes a mesma condição; mas pela intensidade e rapidez da mudança, dispersa e de novo reúne.

 

HERÁCLITO. Fragmentos (Sobre a natureza). São Paulo: Abril Cultural, 1996 (adaptado).

 

TEXTO II Fragmento B8: São muitos os sinais de que o ser é ingênito e indestrutível, pois é compacto, inabalável e sem fim, não foi e nem será, pois agora é um todo homogêneo, uno, contínuo. Como poderia o que é perecer? Como poderia gerar-se?


PARMÊNIDES. Da natureza. São Paulo: Loyola, 2002 (adaptado).

Os fragmentos do pensamento pré-socrático expõem uma oposição que se insere no campo das



A investigações do pensamento sistemático.

 

B preocupações do período mitológico.


C discussões de base ontológica.


D habilidades da retórica sofística.


E verdades do mundo sensível.




Comentário: tanto Heráclito quanto Parmênides se dedicam a questão do ser enquanto ser, logo ontológica. Desde a expressão do tudo flui de Heráclito, o panta rei, até o “ser é” de Parmênides, mostram bem essa dinâmica. Para Parmênides o ser é imutável, enquanto que para Heráclito, sempre muda. Então a questão central é ontológica, bastando ao aluno saber dessa característica e do significado dessa palavra: ontologia. Assim o termo se relaciona ao ser. Inclusive a questão facilitou ao citar esse tema no fragmento de Parmênides.



 
 

(ENEM 2016) Vi os homens sumirem-se numa grande tristeza. Os melhores cansaram-se das suas obras. Proclamou-se uma doutrina e com ela circulou uma crença: Tudo é oco, tudo é igual, tudo passou! O nosso trabalho foi inútil; o nosso vinho tornou-se veneno; o mau olhado amareleceu-nos os campos e os corações. Secamos de todo, e se caísse fogo em cima de nós, as nossas cinzas voariam em pó. Sim; cansamos o próprio fogo. Todas as fontes secaram para nós, e o mar retirou-se. Todos os solos se querem abrir, mas os abismos não nos querem tragar!

NIETZSCHE, F. Assim falou Zaratustra. Rio de Janeiro: Ediouro, 1977. O texto exprime uma construção alegórica, que traduz um entendimento da doutrina niilista, uma vez que



A reforça a liberdade do cidadão.

 

B desvela os valores do cotidiano.


C exorta as relações de produção.


D destaca a decadência da cultura.


E amplifica o sentimento de ansiedade.






Comentário: Nietzsche fez uma filosofia do martelo, logo para destruir os ídolos de sua cultura. Assim lhe causava aversão a filosofia alemã, e mesmo a cultura de seu tempo, da moral cristã e mesmo de doutrinas socialistas, e outras. Critica assim Sócrates, Kant e tantos outros. Assim uma degenerescência. O homem estaria meio como um animal doente em meio a essa cultura citada por ele. Decadente. Para superar isso surgiria o Zaratustra, o dionisíaco e uma série de ensinos propagados por ele. A cultura do rebanho, ou seja, da moral judaico-cristã estaria decadente, frente a isso, juntamente com a ciência e tudo mais, que sofria crítica dele igualmente. Sobre o niilismo, o mesmo se refere ao nada, a palavra “nihil”. Assim Nietzsche se refere ao budismo, que buscaria um nada ou nirvana, e compara ao cristianismo, a que chama de um budismo europeu, e relacionado a redenção, salvação etc, e a Deus, na visão de Nietzsche.

 
 

 
 
 



sábado, 17 de dezembro de 2016

O que é esse site?

FILOSOFIA EM PROVAS reúne questões de provas de ENEM, concursos e provas diversas com comentários meus e análises de detalhes e curiosidades. As questões selecionadas são de filosofia, sociologia ou relacionadas, ou que citem algum pensador ou reflexão direcionada aos temas. Tendo em vista a importância que a disciplina ganha em provas de todos os campos, em especial de humanas, resta que sejam estudadas e clareadas, a fim de que não reste dúvidas sobre as resoluções. Confira essas questões e aprenda fácil.